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“Geração do Quarto” e alerta sobre ataques às escolas

O especialista falou que os ataques nas escolas brasileiras podem estar relacionados com a geração do quarto, pois, segundo ele, essa geração foi "produzida pela violência"






No livro “A geração do quarto – Quando crianças e adolescentes nos ensinam a amar”, o educador da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Hugo Monteiro Ferreira, reuniu 123 depoimentos, fortes e sinceros, de crianças e adolescentes para apresentar a sua tese.



“A Geração do Quarto é um conceito que eu criei a partir de uma problemática que é o seguinte: existem meninos e meninas, na atualidade que passam mais de seis horas do seu dia, quando estão em casa, dentro dos quartos. Esses meninos e meninas apresentam um comportamento autodestrutivo, ou seja, cortes, pensamentos suicida, tentativa de suicídio ou apresentam sintomatologia psicopatológicas, depressão, síndrome do pânico, transtornos alimentares como bulimia, anorexia, distúrbios do sono”, explicou o professor.


Hugo Monteiro é pós-doutor em Estudos da Criança; Doutor em Educação; Mestre em Letras; Especialista em Neuropsicologia; Graduado em Letras; Acadêmico de Psicologia; Coordenador do Núcleo do Cuidado Humano da UFRPE; Líder do GETIJ – Grupo de Estudos da Transdisciplinaridade, da Infância e da Juventude; Além de pesquisador, terapeuta e escritor.


O especialista fez uma pesquisa entre 2017 e 2019, com alunos de escolas públicas e privadas de cinco capitais brasileiras, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Maceió e Natal onde foi aplicado um questionário online para 3.115 crianças e adolescentes. A partir das respostas, foi feito um recorte com 238 jovens, dos quais a grande maioria, 70%, são de escolas privadas, e fazem parte da classe média e classe média alta. Os resultados mostraram que 75% dos 3.115 alunos estão com a saúde mental abalada, embora nem todos apresentem sintomatologia psicopatológica.



Escritor Hugo explica o que é a “Geração do Quarto” e alerta sobre ataques às escolas



O pesquisador aponta que as crianças e adolescentes que fazem parte da geração do quarto têm um contato excessivo com as redes sociais digitais, apresentam o isolamento como uma das suas principais características, dificuldade de comunicação e são pessoas que passaram por experiências de violência na escola, como vítimas ou autores de bullying ou cyberbullying.


“Uma geração que apresenta essa vulnerabilidade mental, socioemocional, há dificuldade de convivência dentro de casa, o uso excessivo das redes sociais digitais. É uma geração que tem um comportamento autodestrutivo e ao mesmo tempo tem sintomatologia psicopatológicas”, falou.


Apesar de apresentarem essas características, Hugo Monteiro afirma que é uma geração com potencial, que compreende melhor os seus direitos, a luta ambiental, é mais lúcida em relação a política e menos preconceituosa.


Relação da ‘geração do quarto’ e os recentes ataques às escolas


Hugo Monteira falou que os ataques nas escolas brasileiras podem estar relacionados com a geração do quarto, pois, segundo ele, essa geração foi “produzida pela violência”. “Há uma relação profunda entre o perfil da geração do quarto e os ataques que nós estamos presenciando contra creches, escolas, hospitais e que são ataques geralmente contra minorias”, destaca o professor.


“Esses ataques, de modo geral, quando vamos ouvir as pessoas que atacaram elas demonstram uma extrema repulsa a diferença, uma extrema repulsa a mulher, negros, indígenas, ciganos, a pessoas que não pertencem a etnia delas. Elas tem frustrações muito explicitas, dificuldade muito grande de compreender como é conviver de maneira harmônica numa sociedade”, falou o especialista.



O que gerou o adoecimento da geração


Segundo Hugo Monteiro, o adoecimento da geração do quarto se dá pelo atravessamento da violência, pela dificuldade de estabelecer um dialogo, pela falta de escuta acolhedora e a utilização de uma ‘educação violenta’.


“Uma educação que é extremamente violenta em todos os sentidos sobre tudo quando você expressa algum tipo de diferença na sua identidade, ao mesmo tempo ela não escuta e se comunica, essa educação que fez com que a geração do quarto surgisse, ela se comunica também de maneira bastante violenta. Então você tem dois pilares, que no meu entendimento, fazem sustentar o prédio da geração do quarto: o pilar da não escuta e o pilar de uma fala violenta. Me parece que a violência é a grande matriz dessa geração”, destacou.


“Eu diria que três grandes instituições sociais fomentam a geração do quarto, a família, a escola e o Estado. Eu também traria a igreja, é um elemento que pode ter sido corresponsável pela construção da geração do quarto. A geração do quarto não é genética. A geração do quarto é cultural”, ressaltou o escritor.

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