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CONVITE - OFICINA DE PLANEJAMENTO - CLUBE DE LEITURA "MAR DE HISTÓRIAS - ANTOLOGIA DO CONTO MUNDIAL"


Ler, provavelmente, ainda é a maior das viagens, e precisamos redescobrir algumas trilhas importantes de leitura se quisermos ir mais longe, mais além... A Oficina de Leitura e Interpretação Literária (Turma 01, Prof. Orlando Lopes) dos cursos de Letras do DLL/UFES e o Programa RELer&fazer convidam interessad@s em promoção de leitura para participar de ações de planejamento de clubes de leitura a partir do dia 30/09/2022, das 9h30 às 11h, na sala Guimarães Rosa do CCHN, na Ufes de Goiabeiras. Bora navegar nesse marzão de histórias?!


OBS.: Estudantes e profissionais receberão declarações de participação, caso solicitem.


SERVIÇO O QUE: Oficina de Planejamento para Clubes de Leitura "Mar de Histórias - Antologia do Conto Mundial" QUEM: Oficina de Leitura e Interpretação Literária (Turma 01, Prof. Orlando Lopes) e Programa RELer&fazer QUANDO: 30/09/2022 - das 9h30 às 11h ONDE: Sala Guimarães Rosa, prédio B. Lyra, CCHN/UFES Goiabeiras, Vitória COMO: Presencial e Remoto (via Meet) POR QUE: Para viabilizar a realização de clubes de leitura para a antologia "Mar de Histórias" dentro e fora da Ufes, em espaços públicos, privados e não-governamentais. PÚBLICO DE INTERESSE: Agentes de leitura, gestores culturais e educacionais, professores, bibliotecários e qualquer outra pessoa interessada em promover clubes de leitura para a antologia. SAIBA MAIS: entre no grupo "Olá, RELer" (Whatsapp) para saber mais sobre agendamento de palestras e minicursos sobre promoção e mediação de leitura em seu bairro, escola, órgão público, barbeiro, salão de beleza, padaria, igreja... Grupo "Olá, RELer": https://chat.whatsapp.com/FQjQLHSYZ1m1bLWJZ7KegK. Site RELer&fazer: http://bit.ly/RELerefazer

Um Mar de Histórias batendo à nossa porta

Ainda nos anos 40, Aurélio Buarque de Holanda Ferreira e Paulo Rónai deram início a um trabalho de selecionar e traduzir contos do mundo inteiro, desde as épocas mais remotas, a fim de organizar uma grande antologia mundial do gênero. Ao contrário de outras antologias, que eram divididas por países ou nacionalidades, essa pretendia acompanhar a evolução do gênero de forma cronológica. O trabalho levou nada menos que 45 anos para ser concluído, o que só aconteceu no ano de 1987. São 10 volumes de contos, totalizando 239, que vão do Antigo Egito até 1925, após a Primeira Guerra. O trabalho é fantástico sob muitos aspectos e uma grande aula sobre um dos gêneros mais fascinantes da literatura. Tem o mérito de ressaltar escritores e literaturas quase totalmente desconhecidos no Brasil até os dias de hoje. Quando você imaginaria ler um escritor da Letônia ou da Eslovênia, por exemplo? Nessa coleção você lê escritores de lugares como esse, e mais: são boas as chances de gostar daquilo que eles escrevem. Foi digno do maior elogio também o resgate feito pela dupla de uma série de escritores escandinavos, até hoje parcamente traduzidos no Brasil, apesar da alta qualidade. (Por outro lado, algumas literaturas pouco aparecem: onde estão os africanos modernos?). Há introduções contextualizando cada conto, o que é leitura obrigatória. Entretanto, nota-se grande desequilíbrio no espaço para falar de cada escritor, ao contrário do que acontece, por exemplo, com a coleção “Maravilhas do Conto”. Também é preciso dizer que a dupla de organizadores por vezes emite juízos questionáveis ao apresentarem os escritores, diminuindo as suas literaturas. Nota-se, sobretudo, o desdém manifestado pela dupla por O. Henry, figura de grande destaque no conto. Deve-se ler a introdução dos dois, mas deve-se deixar o “espírito crítico” alerta para tudo o que eles dizem.

A leitura, uma experiência (ainda!) necessária nas sociedades contemporâneas


Formar leitores não é uma tarefa fácil, num mundo literalmente afogado em mídias visuais, sonoras e interativas. São tantos os apelos, tantas as distrações, tantas as crises que arranjar tempo (ou textos relevantes) para ler acaba parecendo uma prática descolada de uma realidade cada vez mais acelerada.


O acesso à leitura, entendido como um direito cultural básico, encontra-se previsto em diversos mecanismos e leis de incentivo cultural municipais, estaduais, nacionais e internacionais. Atualmente, encontram-se disponíveis ou em fase de liberação recursos financeiros em diversos fundos que podem apoiar parcial ou integralmente projetos culturais, entre eles os projetos de leitura. A rede RELer&fazer é um programa de extensão da UFES. Seu objetivo é contribuir com a sociedade na formação de leitores, desenvolver sua educação estética e estimular a participação na implementação de políticas de leitura em ambientes públicos, privados e não-governamentais. Convidamos a participar estudantes e professores de todas as áreas de conhecimento interessados em promover leitura literária e não-literária em bares, escolas, faculdades, universidades, bibliotecas, centros culturais, bibliotecas, praças e quaisquer outros ambientes em que a leitura possa ser acionável. Venha participar de nossa oficina e saiba mais sobre a organização de ações e projetos de leitura!



PARA MAIORES INFORMAÇÕES SOBRE A ANTOLOGIA

RESENHA - MAR DE HISTÓRIAS - ANTOLOGIA DO CONTO MUNDIAL 18 DE JANEIRO DE 2019 / HENRIQUE FENDRICH (acesso ao original)

Ainda nos anos 40, Aurélio Buarque de Holanda Ferreira e Paulo Rónai deram início a um trabalho de selecionar e traduzir contos do mundo inteiro, desde as épocas mais remotas, a fim de organizar uma grande antologia mundial do gênero. Ao contrário de outras antologias, que eram divididas por países ou nacionalidades, essa pretendia acompanhar a evolução do gênero de forma cronológica. O trabalho levou nada menos que 45 anos para ser concluído, o que só aconteceu no ano de 1987. São 10 volumes de contos, totalizando 239, que vão do Antigo Egito até 1925, após a Primeira Guerra. O trabalho é fantástico sob muitos aspectos e uma grande aula sobre um dos gêneros mais fascinantes da literatura. Tem o mérito de ressaltar escritores e literaturas quase totalmente desconhecidos no Brasil até os dias de hoje. Quando você imaginaria ler um escritor da Letônia ou da Eslovênia, por exemplo? Nessa coleção você lê escritores de lugares como esse, e mais: são boas as chances de gostar daquilo que eles escrevem. Foi digno do maior elogio também o resgate feito pela dupla de uma série de escritores escandinavos, até hoje parcamente traduzidos no Brasil, apesar da alta qualidade. (Por outro lado, algumas literaturas pouco aparecem: onde estão os africanos modernos?). Há introduções contextualizando cada conto, o que é leitura obrigatória. Entretanto, nota-se grande desequilíbrio no espaço para falar de cada escritor, ao contrário do que acontece, por exemplo, com a coleção “Maravilhas do Conto”. Também é preciso dizer que a dupla de organizadores por vezes emite juízos questionáveis ao apresentarem os escritores, diminuindo as suas literaturas. Nota-se, sobretudo, o desdém manifestado pela dupla por O. Henry, figura de grande destaque no conto. Deve-se ler a introdução dos dois, mas deve-se deixar o “espírito crítico” alerta para tudo o que eles dizem.

Esta não é “a maior coleção de contos já feita no Brasil”, epíteto que por vezes se ouve por aí. Essa “honraria” fica com a citada “Maravilhas do Conto”, editada pela Cultrix nos anos 50 e 60, que conta com 29 volumes. Há contos que aparecem nas duas coleções, mas são menos do que se imaginaria. Seja como for, “Mar de histórias” apresenta um panorama bastante amplo do conto e a sua leitura é essencial para aprender mais sobre o gênero e a sua evolução. O conto é um gênero fascinante que merece ser tão lido como o romance e essa coleção ajuda bastante a aumentar o apreço pelo gênero.

Abaixo, teço alguns comentários sobre cada um dos 10 volumes da coleção, editada pela “Nova Fronteira”, ressaltando os contos que me mais me agradaram, assim como aqueles que considero mais importantes conhecer. Eventualmente, exponho também algumas das minhas “broncas” com a dupla de organizadores, as quais não invalidam a minha gratidão pelo esforço que tiveram para a realização dessa necessária coleção.


VOLUME 1 – DAS ORIGENS AO FIM DA IDADE MÉDIA

O primeiro volume inicia, justamente, nas origens remotas do conto, há milhares de anos, e acompanha a evolução do gênero até o final da Idade Média. Em verdade, boa parte dos textos são esboços do que viria a ser conto, mas é uma experiência das mais enriquecedoras conhecer a “genealogia” do gênero. Tem conto egípcio, tem conto grego, tem conto da Bíblia e do Talmude, tem histórias de tradição hindu e budista. Embora boa parte dos contos não escape do natural “envelhecimento”, não causando mais, hoje, o mesmo efeito que tiveram à época, a leitura é bastante simples e sem grandes problemas de entendimento. Interessante como muitas das histórias de que se serviam os escritores foram sendo reaproveitadas e adaptadas em diferentes partes do mundo. À medida que avança, o livro alcança publicações clássicas como as coletâneas italianas “Novellino” e o “Decameron”, de Boccaccio, e as clássicas histórias das “Mil e uma noites”. Livro muito interessante para aprender sobre a arte de contar histórias.


Cinco contos para se prestar atenção: A história de Sansão, do Velho Testamento Amor e Psique, Apuleio De um sábio grego que era retido em prisão; como julgou de um corcel”, do “Novellino” Por meio do conto dos três anéis…, de Giovanni Boccaccio A história de Xahriyar e de Xah-Zeman, das “Mil e uma noites”



VOLUME 2 – DO FIM DA IDADE MÉDIA AO ROMANTISMO

Nota-se nos contos finais da Idade Média uma incrível tendência de desvalorizar a mulher e de duvidar da sua fidelidade e constância. São diversos contos em que uma mulher é posta à prova, às vezes por métodos dos mais absurdos e desumanos que se possa imaginar, como em conto do português Gonçalo Fernandes Trancoso (difícil não se revoltar com esse conto que o escritor considerava “exemplar”). A mulher só é “vingada” em um conto do italiano Matteo Bandello. Há Cervantes nessa volume, mas havia “novelas exemplares” melhores que a escolhida, “Rinconete e Cortadillo”. À medida que o volume chega ao romantismo, tem-se os melhores contos do livro, com destaque para “O leproso da cidade de Aosta”, do Xavier de Maistre”, e “O terremoto no Chile”, de Heinrich von Kleist. O alemão Johann Peter Hebel apresenta um conto que receberia uma versão de E.T.A Hoffmann. Destaque ainda para o chinês Pu-Sung-Ling. O clássico “Rip Van Winkle”, de Washington Irving, encerra o volume. Cinco contos para se prestar atenção: O leproso da cidade de Aosta, Xavier de Maistre O terremoto no Chile, Heinrich von Kleist Encontro inesperado, Johann Peter Hebel A admirável peça pregada por uma fidalga…, Matteo Bandello Que, ainda que nos vejamos em grandes estados…, Gonçalo Fernandes Trancoso


VOLUME 3 – ROMANTISMO

Com os contos do Romantismo, o gênero já começa a tomar uma feição a que estamos mais acostumados. Ele se inicia o alemão E.T.A Hoffmann, que, apesar da importância que teve para o gênero, influenciando até brasileiros como Álvares de Azevedo, não é ainda conhecido como deveria. Aqui aparecem os russos pioneiros, Puchkín, Gógol e Turguêniev, mas avançando até chegar ao próprio Dostoievski. Prosper Merimée, outro belo contista que precisa ser “resgatado”, também marca presença. O conto de Balzac, “Estudo de mulher”, não pareceu ser o mais apropriado para essa antologia. Uma escolha equivocada também atingiu um dos mestres do gênero, Edgar Allan Poe (“O homem da multidão” e “A carta furtada”). Nathaniel Hawthorne, que, assim como Poe, “modernizou” o conto norte-americano, também está presente neste volume. Aparecem ainda contos de Stendhal e Dickens, bem mais famosos pelos seus romances. Hans Cristian Andersen é outro nome que pode ser lido neste volume.


Cinco contos para se prestar atenção: Mumu, Turguêniev A Vênus de Ille, Prosper Mérimée Uma árvore de Natal e um casamento, Dostoievski Haimatocare, E.T.A Hoffmann Diário de um louco, Nikolai Gógol


VOLUME 4 – DO ROMANTISMO AO REALISMO

Este volume abrange o período de 1845-1885. Aurélio Buarque de Holanda e Paulo Rónai cometeram um erro grave nesta seleção, pois incluíram um conto de José Antonio Campos, escritor apelidado de “Jack the ripper”, que não é deste período (o próprio apelido dele evidencia isso). Os organizadores da coleção tinham informações muito equivocadas sobre os anos de nascimento e óbito do escritor e por isso foram levado a um erro grave. Este volume conta com o primeiro conto de um brasileiro (Álvares de Azevedo). Também é este o volume que, já no final, conta com um dos principais expoentes do conto, o francês Guy de Maupassant, que aparece com três contos. Começam também a aparecer os primeiros escritores da Escandinávia, muitos dos quais não tem quase nada publicado no Brasil além dos contos dessa coleção. É o caso de Jens Peter Jacobsen e Björnstjerne Björnson. A literatura tcheca surge com Jan Neruda (o Neruda “original”). Flaubert e Daudet também se sobressaem.

Cinco contos para se prestar atenção: Dois amigos, Guy de Maupassant Os três corvos, José Antonio Campos Os velhos, Alphonse Daudet Um tiro no nevoeiro, Jens Peter Jacobsen O vampiro, Jan Neruda


VOLUME 5 – REALISMO

Nessa edição voltada ao Realismo nota-se mais o desequilíbrio nas notas introdutórias aos contos. Os organizadores dedicam muito mais espaço para uns do que para outros e alguns dos que tiveram bastante espaço não são, visivelmente, os maiores cultores do gênero “conto”. Também é aqui que começa a chamar a atenção as opiniões um tanto depreciativas que, vez ou outra, os organizadores têm em relação aos escritores que eles mesmos apresentam. Em termos de conteúdo, estão aqui possivelmente os dois maiores contistas da Literatura, Anton Tchékhov e Machado de Assis, o primeiro com três e o segundo com quatro contos. Outro nome de grande destaque é o russo Leon Tolstoi. Aqui, somos também apresentados à literatura húngara, por meio de Mór Jókai, e temos um exemplar da literatura flamenca, com Cyriel de Buysse. Um conto que rouba a cena é anônimo, escrito por algum autor persa. Quem teve direito a três contos também foi Oscar Wilde, o que me pareceu um tanto exagerado.


Cinco contos para se prestar atenção: Angústia, Anton Tchékhov O espelho, Machado de Assis Depois do baile, Tolstoi O primeiro impulso, anônimo Divertimento forçado, Mór Jókai


VOLUME 6 – CAMINHOS CRUZADOS

Honestamente, este é o mais fraco dos 10 volumes. Não deixa de ser interesse ter acesso a muitos escritores e literaturas desconhecidos no Brasil, mas, aqui, passamos pela maior deles com certa indiferença, sem guardar memória depois da leitura. Nesse livro se torna mais evidente que a proposta de divisão dos volumes talvez não seja a mais indicada. Se nos primeiros volumes acompanhávamos a evolução das escolas literárias, agora temos um título e um período completamente subjetivos. O destaque fica por conta do inglês Thomas Hardy, do russo Máximo Górki (grande contista, que tem dois contos no volume, não necessariamente os melhores) e do Conan Doyle, responsável pelo primeiro conto policial dessa coleção, através de uma história do Sherlock Holmes. Merece menção também a aparição do brasileiro Artur Azevedo. Pode-se falar ainda de Selma Lagerlöf, sueca de texto eminentemente poético. Henry James também marca presença. O conto mais difícil do livro é do Rudyard Kipling.

Cinco contos para se prestar atenção: O hussardo melancólico da Legião Alemã, Thomas Hardy Vinte e seis e uma, Máximo Gorki O amanuense de corretor, Conan Doyle Plebiscito, Arthur Azevedo Brooksmith, Henry James


VOLUME 7 – FIM DE SÉCULO

Se o volume anterior não chamou a atenção, este aqui é possivelmente o melhor da coleção. Olhando pelo nomes dos escritores, ninguém daria muita coisa por este livro. Mas um dos objetivos dessa coleção é alcançado exemplarmente neste volume: o de levantar tesouros de escritores e literatura obscuras. Quem diria, por exemplo, que um dos grandes contos do livro viria de Rudolfs Blaumanis, da Letônia? E outro de Boleslaw Prus, da Polônia? Este livro também conta vários escandinavos e eles dão show: Per Hällstrom, Holger Drachmann e Hjalmar Söderberg. Destaque também para outro húngaro, Kálmán Mikszáth. Há ainda os célebres Rilke, H. G. Wells e outros escritores bem menos conhecidos, mas que a gente se sente feliz por tomar conhecimento. O melhor conto do livro, contudo, não é um conto. “O homem que corrompeu Hadleyburg”, do Mark Twain, é sensacional, mas é uma novela. Outros contos não entraram para essa coleção por conta disso. Em todo caso, é ótimo de ler.


Cinco contos para se prestar atenção: O homem que corrompeu Hadleyburg, Mark Twain Na sombra da morte, Rudolfs Blaumanis O realejo, Boleslaw Prus Amor, Per Hällstrom A mosca verde e o esquilo amarelo, Kálmán Mikszáth


VOLUME 8 – NO LIMIAR DO SÉCULO XX

Também é um ótimo volume e, provavelmente, o que tem o melhor início, porque “O Tenente Gustl”, de Artur Schnitzler, é um dos grandes momentos da literatura mundial. E logo emenda com Thomas Mann e Anatole France. Este volume também conta com um conto de Leonid Andreiev, excepcional contista russo que precisa ser resgatado a qualquer custo. Há ótimas surpresas, como Lafcadio Hearn, espécie de Poe greco-japonês, a alemã Ricarda Huch, o humorista Stephen Leacock, o russo Avertchenko. A literatura japonesa aparece com Naoya Shiga, mas os organizadores fazem uma lamentável observação depreciativa da literatura japonesa anterior a 1868. O. Henry, contista importante, também aparece e é depreciado. Não foi boa a escolha do conto de August Strindberg, que exige uma enormidade de notas de rodapé. Mas o livro é muito bom e a gente se vê elogiando escritores até da Eslovênia, na figura de Ivan Čankar. Dois brasileiros: o difícil Coelho Neto e o regionalista Simões Lopes Neto.

Cinco contos para se prestar atenção: O Tenente Gustl, Arthur Schnitzler O grande slam, Leonid Andreiev A morte do atirador de facas, Naoya Shiga O quarto mobiliado, O. Henry O cantor, Ricarda Huch


VOLUME 9 – TEMPO DE CRISE Este volume abrange o período da Primeira Guerra Mundial. A situação de conflito mundial é evidenciada, sobretudo, no belíssimo e pungente conto de Stefan Zweig. Aqui estão também nomes célebres da literatura mundial, como James Joyce, Luigi Pirandello e Joseph Conrad. Mas nomes “menores” fazem bonito, como Miguel de Unamuno, Massimo Bontempelli, Saki, Ryūnosuke Akutagawa, além do indiano Rabindranath Tagore, também Nobel de Literatura, mas hoje praticamente esquecido, e que apresenta um conto sensível e muito bonito. Destaque também para o Hermann Sudermann, alemão que, infelizmente, também sofreu injustamente com a rabugice dos dois organizadores na introdução do seu conto. Há ainda Valery Larbaud , elogiado pelo Proust, mas que para mim pareceu um bocado estranho, o brasileiro Valdomiro Silveira, com um bonito conto regional, além de muitos outros escritores que, se bem que não tenham chamado tanto a atenção, foi interessante aprender sobre eles.


Cinco contos para se prestar atenção:

Episódio no lago de Genebra, Stefan Zweig No hotel morreu um fulano, Luigi Pirandello A viagem a Tilsit, Hermann Sudermann O homem de Cabul, Rabindranath Tagore Num bosque, Ryūnosuke Akutagawa



VOLUME 10 – APÓS-GUERRA

Um exemplar dos mais significativos encerra a coleção. Salta aos olhos a quantidade de contos que terminam de maneira absolutamente desoladora, deixando uma sensação de impotência no leitor diante das angústias da vida. Mesmo alguns que não terminam com uma nota desoladora tão alta são, ainda, narrativas de grandes dramas individuais. É de se imaginar que seja, ainda, reflexo do conflito mundial recente (os contos desse livro vão de 1919 a 1925). Um bom exemplo da desolação é “A vida de tia Parker”, conto de uma das nossas contistas maiores, Katherine Mansfield, que comparece com dois contos. Também neste volume estão três contos de Kafka, inquietantes alegorias como só ele sabia fazer, mas não seriam os contos que eu escolheria. Lima Barreto, Monteiro Lobato e João Ribeiro são os brasileiros. Alfredo Panzini, Sherwood Anderson, Lu- Hsin, Ring Lardner, D. H. Lawrence, Ion Alexandru Bratescu-Voinesti e Max Jacob se destacam e os ótimos Josef e Karel Čapek encerram a bela coleção.


Cinco contos para se prestar atenção: A vida de tia Parker, Katherine Mansfield Um faquir, Franz Kafka O rato de biblioteca, Alfredo Panzini A força de Deus, Sherwood Anderson Jantar, Ring Lardner

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